Por Redação A Voz da Costura Publicado em: 18 de Fevereiro de 2026
A história de Marta Cabrita não segue o roteiro tradicional da costureira que cresceu entre carretéis de avós. Estudante de Engenharia do ambiente , ela encontrou na costura um refúgio durante o silêncio da pandemia e, através do Instituto Diana Demarchi, transformou o “partir agulhas” em uma carreira com propósito.
Hoje, radicada em Lisboa, Marta é uma das vozes mais autênticas da moda sustentável, unindo o rigor técnico da engenharia à delicadeza do estilo campestre do século XIX. Membro da comunidade CMC8 e participante da primeira turma do IDD Fashion Trip a Paris, ela se prepara para subir ao palco do IDD Fashion Day 2026.
Confira nossa conversa exclusiva com a costureira que está provando que o luxo real é respeitar o planeta.
O Despertar em Lisboa: Entre o Passado e o Futuro
Marta recorda que sua jornada começou quando o mundo parou. Sem referências familiares na arte, foi no YouTube que encontrou as “mãos bonitas” de Diana Demarchi. “Para mim, fazer o que gosto e me dá prazer já é suficientemente estruturado”, afirma sobre sua transição de carreira.
Suas criações em Lisboa bebem de uma fonte nostálgica: o fim do século XIX. Suas peças têm uma influência campestre, mas são desenhadas para a mulher moderna que busca praticidade sem abrir mão do romantismo.
A Experiência Parisiense: Novos Olhares
Participar da IDD Fashion Trip a Paris foi um divisor de águas. Mesmo já conhecendo a cidade, vivenciá-la sob a perspectiva da moda despertou nela a coragem para técnicas mais ousadas.
“Paris semeou em mim uma curiosidade ainda maior para me aventurar em técnicas atrevidas. Para mim, o luxo hoje significa a aproximação à natureza e o desejo de refletir o respeito pelo planeta em cada peça.”
Sustentabilidade sem Maquiagem: Os Pilares de Marta Cabrita
Como estudante de engenharia, Marta é direta: “Não existem materiais ecológicos”. Para ela, a verdadeira ecologia está em ter menos, ter melhor e promover a economia circular. No seu atelier em Lisboa, ela aplica três pilares inegociáveis:
1. Escolha Consciente de Materiais
Marta prioriza fibras naturais que não emitem microplásticos nas lavagens e que possuem uma decomposição menos agressiva ao solo.
2. Desperdício Zero (Zero Stock)
A produção só acontece após o pagamento e a encomenda. “Só coloco uma peça no mercado porque alguém a deseja e a compra”, explica.
3. Educação do Consumidor
Mais do que vender roupa, ela ensina suas clientes a diferença entre tecidos e como cada escolha impacta o corpo e o ecossistema.
Você sabia? Uma única T-shirt de algodão pode consumir até 2.700 litros de água. Marta utiliza esses dados para conscientizar suas clientes de que a costura sob medida é um verdadeiro ato de resistência contra o fast fashion.
Rumo ao IDD Fashion Day 2026
Convidada para palestrar no grande evento da comunidade em 2026, Marta sente-se lisonjeada em retornar como autoridade. Sua mensagem central para o público será o mantra atemporal: “Menos é Mais”.
Para os novos costureiros que desejam trilhar este caminho, ela redefine o conceito de lucro em três frentes:
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Lucro Social: Preços justos para quem faz.
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Lucro Econômico: Viabilidade do negócio e margens saudáveis.
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Lucro Ambiental: Saúde para o corpo e para o planeta.
“Sem um planeta saudável, nenhum negócio será saudável por muito tempo”, finaliza Marta, com a clareza de quem sabe que a moda do futuro não se faz apenas com linhas, mas com consciência.
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